AEO sem Bluff / Repensar a visibilidade na era dos motores de resposta / Aula 01
Como a pesquisa evoluiu
Trinta anos de história da pesquisa em poucos minutos: da lista telefónica ao motor que responde por ti.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Faz-me um favor antes de veres o resto do vídeo. Abre o ChatGPT e escreve a pergunta que um cliente teu faria antes de te contratar. Não o nome da tua empresa. A pergunta do cliente.
"Qual é a melhor clínica de fisioterapia em Gaia." "Quanto custa remodelar uma casa de banho no Porto." "Que contabilista escolher para uma empresa pequena."
Lê a resposta com atenção. Vê que nomes é que aparecem.
Se o teu nome não estiver lá, é disto que vamos falar nesta aula e nas três seguintes. E vou fazer a coisa por ordem, porque isto só faz sentido se perceberes como é que chegámos aqui.
Isto não aconteceu de repente. Foram trinta anos.
Anos noventa. Os motores de busca eram listas telefónicas. Escrevias uma palavra, e o motor devolvia páginas que continham aquela palavra. Mais nada. Se a palavra aparecia dez vezes na tua página, tinhas mais hipóteses do que quem a tinha escrito duas.
Foi assim que nasceu aquela praga de sites com a mesma palavra repetida cinquenta vezes no rodapé, a branco sobre branco, para o utilizador não ver. Havia quem ganhasse dinheiro com isso. E os resultados eram uma miséria.
Mil novecentos e noventa e oito, o Google. Chega com uma ideia simples e boa: se outros sites de respeito apontam para a tua página, é porque aquilo deve prestar. Um link passou a ser um voto. Deixou de ser só "tens a palavra?" e passou a ser "és de confiança?".
Dois mil e onze e dois mil e treze. O Google começa a limpar a casa. Primeiro castiga o conteúdo fraquinho, feito só para encher. Depois aprende a perceber a intenção de quem pesquisa, e não só as palavras.
Explico com um exemplo. Alguém pesquisa "melhores sapatilhas para pé chato". A partir daí, o Google percebe que aquela pessoa quer uma recomendação. Não quer páginas que tenham por acaso a palavra "chato" lá dentro.
Depois vieram as caixinhas. Aqueles blocos que respondem logo no topo, com um bocado de texto tirado de um site. Foi a primeira vez que o Google pegou no conteúdo de alguém e o mostrou ali, sem obrigar a clicar.
Isto é o Google a deixar de ser uma estante e a começar a ser alguém que responde.
E hoje. Hoje há um nome para o que aconteceu a seguir: pesquisas sem clique. A pessoa pergunta, recebe a resposta na própria página de resultados, e nunca chega a visitar site nenhum.
O que empurrou isto a sério foram as respostas de IA do Google. E a diferença face às caixinhas antigas é importante, por isso quero que percebas bem.
A caixinha antiga citava uma página. Copiava um parágrafo teu, tal e qual, e punha o link. Ganhava quem tivesse a melhor resposta numa página só.
As respostas de IA não fazem isso. Vão a várias páginas ao mesmo tempo, lêem tudo, e escrevem um texto novo com aquilo. Já não é uma citação. É uma síntese.
E isso muda a competição toda. Antes havia um lugar para ganhar. Agora várias empresas podem entrar na mesma resposta. A tua e a do teu concorrente, lado a lado, no mesmo parágrafo.
Isto quer dizer que o Google morreu? Não. Ainda faz à volta de treze mil milhões de pesquisas por dia, é o número que a HubSpot usa no curso. Continua a valer a pena aparecer lá.
O que mudou não foi o Google desaparecer. Foi a palavra "visibilidade" passar a querer dizer outra coisa.
Na próxima aula dou nome a esta coisa nova. Chama-se motor de resposta, e vou mostrar-te onde é que já estás rodeado deles e os três traços que passam a mandar no teu conteúdo.
Se fizeste o teste do início, diz-me nos comentários o que aconteceu. Apareceste? Apareceu um concorrente? Apareceu uma empresa que nem sabias que existia? Tenho curiosidade genuína em ver isto setor a setor.
Até à próxima aula.