AEO sem Bluff / Medir o que importa na AEO / Aula 18
Em que métricas de AEO confiar
Os números que passam a contar, os três níveis de confiança, e o teste manual que qualquer empresa pequena consegue fazer.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Na aula anterior mostrei-te por que razão o tráfego, a posição no Google e os cliques já não dizem o que diziam. E ficou uma pergunta no ar: então em que números é que se pode confiar? É disso que trata esta aula. Vou dar-te cinco, arrumados por nível de confiança, e os dois mais valiosos fazem-se com uma folha de papel e quinze minutos por mês.
Agora o que interessa. Mas antes da lista, uma arrumação que te vai poupar muita confusão, porque é ela que te impede de dar o mesmo peso a coisas que não valem o mesmo.
Os números dividem-se em três níveis de confiança.
Nível um: o que consegues mesmo ver acontecer. Ações de pessoas reais, registadas pelas tuas ferramentas. É aqui que se decide.
Nível dois: o que precisa de interpretação. Mostra visibilidade verdadeira, mas não liga a um comportamento no teu site. Serve para dar contexto.
Nível três: o que só serve para ver a direção do vento. Números com muito ruído, bons para tendência ao longo de meses, maus para dizer o que quer que seja sobre esta semana.
E a regra que sai daqui: decides pelo nível um. Os outros dois explicam o nível um, nunca o substituem. Guarda isto, porque é o que te vai salvar quando alguém te aparecer com um painel bonito cheio de percentagens.
Comecemos pelo nível um. São três, e o primeiro é aborrecido de tão óbvio.
Um. Pedidos, marcações, contactos. O número de pessoas que levantaram a mão. Sempre foi este o número. O que mudou é que ele passou a ser o árbitro de todos os outros. Tráfego a cair com contactos na mesma quer dizer que perdeste visitas que não valiam nada. Tráfego na mesma com contactos a cair é que é um problema real.
Se só puderes acompanhar uma coisa, acompanha esta.
Dois. Quanta gente procura o teu nome. Isto chama-se tráfego de marca e é dos sinais mais honestos que existem. Quando alguém escreve o nome da tua empresa no Google, é porque ouviu falar de ti nalgum lado. Pode ter sido uma recomendação, um artigo, ou uma resposta de IA onde tu apareceste. No Search Console dá para filtrar as pesquisas que contêm o teu nome e ver se essa linha está a subir.
Se essa linha sobe enquanto o resto abana, estás no bom caminho.
Três. As visitas que vêm dos assistentes. Isto já se vê. Quando alguém clica num link dentro do ChatGPT ou do Perplexity e vai ao teu site, essa visita aparece no teu Google Analytics com a origem desses sites. Não vais ver números grandes, e não é isso que interessa. Interessa a qualidade: são pessoas que chegaram depois de uma máquina te ter recomendado. Costumam chegar meio decididas.
Vale a pena isolares essa origem e veres o que essas pessoas fazem lá dentro.
Mas fica com esta ressalva, que é importante: este número mostra-te só a ponta visível. Muita gente que ouve falar de ti numa resposta de IA não vai lá clicar. Vai procurar o teu nome no Google, ou ver-te no Instagram primeiro, e só depois é que aparece no teu site, já como visita normal. Essas nunca vais contar aqui.
Passemos ao nível dois, o que precisa de interpretação.
Quatro. O teste manual, feito sempre igual. Escolhe cinco perguntas, as mesmas todos os meses. Faz essas cinco perguntas ao ChatGPT, ao Perplexity e ao Google, em janela anónima e sem sessão iniciada, para não te apanhar o histórico. Anota se apareces e quem mais aparece.
Isto não é elegante, dá quinze minutos de trabalho, e é a coisa mais próxima da verdade que uma empresa pequena consegue ter hoje.
Cinco. Perguntar a quem chega. Acrescenta uma caixa ao formulário ou pergunta ao telefone: como é que chegou até nós? As respostas vão surpreender-te, e algumas vão dizer "vi no ChatGPT". Nenhum painel te dá isto.
Três coisas pequenas para esta semana, e ficas com um sistema de medição a funcionar.
Primeira: abre uma folha e escreve as cinco perguntas do teste. As mesmas que escolheste no módulo do planeamento servem. Faz o teste hoje, em janela anónima, e anota o resultado. É o teu ponto de partida.
Segunda: no teu Analytics, vai ver se já tens visitas vindas do ChatGPT ou do Perplexity. Mesmo que sejam três. Quero que saibas se já começou.
Terceira: acrescenta ao teu formulário, ou à tua conversa de telefone, a pergunta "como é que chegou até nós?".
E o nível três, o da direção do vento? Esse leva a próxima aula inteira: as ferramentas que prometem medir a tua visibilidade em IA. O que fazem por dentro, onde ainda são fracas, e as quatro perguntas que deves fazer a uma antes de lhe dares o teu cartão.
Até para a semana.
Material de apoio
O teste manual, feito sempre igual
Cinco perguntas fixas, as mesmas todos os meses, feitas ao ChatGPT, ao Perplexity e ao Google em janela anónima. Anota se apareces e quem mais aparece.
Como é que chegou até nós?
Acrescenta esta pergunta ao formulário ou à conversa de telefone. Nenhum painel te dá esta informação.