AEO sem Bluff / Medir o que importa na AEO / Aula 20
Construir o teu modelo de relatório AEO
O relatório numa folha: três camadas, três cadências, e como usá-lo para distinguir um problema real de uma simples mudança de comportamento.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Vou repetir a conversa com que abri a aula dezassete, porque agora estamos em condições de a resolver de forma concreta.
Alguém me diz: o meu tráfego caiu vinte por cento.
E eu não consigo responder se isso é mau. Ninguém consegue. Com um número sozinho na mão, não há resposta possível.
Com três, há. E ao fim desta aula vais conseguir responder em dois minutos, com o portátil aberto.
Hoje montamos o relatório. Uma folha, três blocos, e uma regra sobre de quanto em quanto tempo se olha para cada um, que é a parte que quase toda a gente faz mal.
Vou dar-te uma pirâmide de três camadas. E antes disso tenho de arrumar uma confusão, porque já vamos em três coisas com três andares e eu não quero que se misturem.
A pirâmide da aula sete, os cinco andares dos alicerces até ao afinar, é sobre o que construir e por que ordem. É um mapa de obra.
Os três níveis da aula dezoito, observável, interpretação e direcional, são sobre em que números podes confiar. É uma régua de credibilidade.
A pirâmide de hoje é outra coisa: é sobre o que medir, de quanto em quanto tempo, e a quem é que se conta. É um calendário.
Três camadas, e cada uma assenta na de baixo, como é hábito nesta série.
Em baixo, continuam a encontrar-te. No meio, andam a falar de ti. Em cima, isso dá dinheiro.
E a mesma regra de sempre: não se lê a camada de cima sem ter a de baixo firme. Se ninguém te encontra na pesquisa normal, não faz sentido nenhum andares a contar menções em respostas de IA.
Camada um. Continuam a encontrar-te?
É a base. O que sempre se mediu, e continua a valer: posições, impressões, cliques, visitas, e o que as pessoas fazem quando lá chegam.
Está tudo em dois sítios gratuitos, o Search Console e o Analytics, e não precisas de mais nada.
E porque é que isto é a base? Pela razão mais simples do mundo: estes sistemas de IA vão buscar conteúdo à web, e a porta de entrada é a mesma. Se o teu site não é encontrado, não é lido. Se não é lido, não é citado. Não há atalho.
Agora vem a cadência, que é o que interessa nesta aula. Esta camada olha-se de semana a semana. É a única das três que se pode ver assim tão de perto sem enlouquecer, porque são números grandes e estáveis, e uma queda importante vê-se logo.
Camada dois. Andam a falar de ti?
Agora a camada nova, a que não existia há três anos.
Três coisas, e já as conheces todas da aula dezoito: as visitas que chegam dos assistentes, quanta gente procura o teu nome, e o teste manual das cinco perguntas feitas sempre da mesma maneira.
A cadência aqui é mensal. E isto é importante: não olhes para isto todas as semanas. Uma resposta de IA muda de dia para dia, de pessoa para pessoa. Se olhares de sete em sete dias, vais ver serras onde não há montanha nenhuma, e vais tomar decisões por causa de ruído.
Uma vez por mês, sempre no mesmo dia, com as mesmas perguntas. Ao fim de quatro meses tens uma linha que diz alguma coisa. Ao fim de quatro semanas não tens nada.
Camada três. Isto dá dinheiro?
É o topo. E é aqui que isto deixa de ser um passatempo de marketing e passa a ser uma decisão de negócio.
Pega nas pessoas que chegaram por aí, dos assistentes ou que te procuraram pelo nome, e vê quantas se tornaram contactos, marcações, clientes. E compara com as que chegam pela pesquisa normal.
Costumas ter uma surpresa boa: são poucas, mas fecham melhor. Faz sentido, se pensares nisso. Uma pessoa que chega porque uma máquina lhe recomendou o teu nome vem meio decidida. Não vem a comparar dez sites.
A cadência aqui é trimestral. Três meses. E não é preguiça: é que estes números precisam de tempo para dizerem alguma coisa. Com duas semanas de dados não há padrão nenhum, há acaso.
Esta é a camada que mostras a quem tem de decidir se se continua a investir nisto. É a que justifica o trabalho todo das aulas anteriores.
Chegámos à parte que faz esta aula valer a pena: usar isto para diagnosticar.
Voltemos ao princípio. O tráfego caiu vinte por cento. Abre a folha e faz três perguntas, de baixo para cima.
As impressões caíram também? Se as impressões estão iguais e só os cliques é que caíram, continuas a ser encontrado tanto como antes. Não perdeste visibilidade. Perdeste cliques, que é outra coisa.
As pesquisas pelo teu nome aumentaram? Se aumentaram, alguém andou a falar de ti nalgum lado. E "alguém", hoje, inclui as máquinas.
Os contactos mantiveram-se? Se sim, o negócio não sentiu nada.
Junta as três respostas. Impressões estáveis, marca a subir, contactos iguais: tu não tens um problema. Tens uma mudança de comportamento. As pessoas passaram a ficar servidas antes de clicar. Não mexas em nada, e sobretudo não mandes refazer o site.
Agora o outro cenário. Impressões a cair, marca parada, contactos a cair. Aí sim, temos conversa, e é uma conversa da camada um: deixaste de ser encontrado, e é aí que se vai trabalhar.
Olha para o que a pirâmide te acabou de poupar. No primeiro caso, alguém que só olhasse para o gráfico do tráfego ia mandar refazer um site que estava bom, gastar dinheiro, e provavelmente piorar. Já vi acontecer mais do que uma vez.
Tarefa desta semana. Monta a folha. Uma página, três blocos, e mete as datas no calendário já, porque um relatório sem data marcada nunca é feito.
Sexta-feira, dez minutos: camada um. Impressões, cliques, visitas.
Primeira segunda-feira do mês, meia hora: camada dois. As cinco perguntas, as visitas dos assistentes, as pesquisas pelo teu nome.
Fim de cada trimestre, uma hora: camada três. Contactos e clientes, por onde vieram, comparados com o trimestre anterior.
E uma regra final: se ao fim de três meses houver um número nessa folha que nunca te fez mudar nada, risca-o. Não é medição, é decoração.
Na próxima aula acaba a teoria de vez. Pego num caso real, de um cliente meu, aplico isto tudo pela ordem que dei nestas aulas todas, e mostro-te o resultado. Tenha corrido bem ou tenha corrido mal.
Nos comentários, diz-me se já te aconteceu mandares mexer no site por causa de um gráfico que afinal não queria dizer o que parecia. A mim já.
Até para a semana.
Material de apoio
Plano de 30 dias (PDF)
Quatro semanas, passo a passo: montar a medição, encontrar os buracos, tapar os que mais rendem, e comparar com o princípio. Com a tabela do antes e do depois para preencheres. Não precisas de comprar nada.
Descarregar PDFAs três camadas e as três cadências
Camada 1: continuam a encontrar-te? (impressões, cliques, visitas). Ver à sexta-feira, 10 min. Camada 2: andam a falar de ti? (visitas dos assistentes, pesquisas pelo teu nome, teste das 5 perguntas). Ver na primeira segunda do mês, 30 min. Camada 3: isto dá dinheiro? (contactos e clientes por origem). Ver ao fim de cada trimestre, 1 hora.
O diagnóstico em três perguntas
Caiu o tráfego? 1) As impressões caíram também? 2) As pesquisas pelo teu nome aumentaram? 3) Os contactos mantiveram-se? Impressões estáveis + marca a subir + contactos iguais = não tens um problema, tens uma mudança de comportamento. Não mexas no site.
A regra do risca-o
Se ao fim de três meses houver um número na tua folha que nunca te fez mudar nada, risca-o. Não é medição, é decoração.