AEO sem Bluff / Repensar a visibilidade na era dos motores de resposta / Aula 02

O que é um motor de resposta

A diferença entre devolver ligações e dar a resposta feita, e porque é que isso muda quem recebe a visita.

Vídeo a caminho

A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.

A aula, por escrito

Na aula anterior contei-te trinta anos de pesquisa em poucos minutos: o Google deixou de ser uma lista e começou a responder. Hoje dou nome à coisa. E vais ver que não é uma novidade distante: já usas motores de resposta todos os dias, provavelmente sem dares por isso.

Motor de resposta é qualquer sistema que, em vez de te dar uma lista de sítios onde talvez esteja a resposta, te dá a resposta.

A diferença é maior do que parece.

O motor de busca clássico era um bibliotecário. Chegavas ao balcão, fazias a pergunta, e ele apontava para dez prateleiras. O trabalho de ler, comparar e decidir era teu. E era nesse trabalho que tu, como empresa, tinhas hipótese de aparecer. Dez prateleiras, dez oportunidades.

O motor de resposta não aponta para lado nenhum. Foi lá dentro, leu as dez prateleiras por ti, e volta com um parágrafo.

Já não há dez oportunidades. Há uma resposta, com dois ou três nomes lá dentro.

E não é o futuro. Estás rodeado disto.

O próprio Google, com aqueles blocos de texto no topo, antes dos resultados. Faz o teste enquanto vês isto: pesquisa uma dúvida do teu setor e olha para cima.

Os assistentes de conversa. ChatGPT, Perplexity, Claude. A pessoa escreve como fala e recebe um texto de volta. O Perplexity é o mais transparente do grupo, mostra-te as fontes ao lado de cada frase, dá para ver de onde veio aquilo. Se quiseres perceber como funciona uma citação de IA, é o melhor sítio para espreitar.

E a voz, que é a parte que toda a gente esquece. Quando alguém pergunta à Siri ou à Alexa, não há ecrã. Não há primeiro, segundo e terceiro lugar. Há uma frase dita em voz alta. Ou és tu essa frase, ou não existes de todo.

Estas coisas são todas diferentes por dentro, mas têm três traços em comum. E são estes três que passam a mandar no teu conteúdo.

Um. Querem respostas que se possam arrancar da página. Pergunta clara, resposta logo a seguir. Se a tua página é um texto corrido de oitocentas palavras e a resposta está algures no meio do quinto parágrafo, a máquina não a vai lá buscar. Não é preguiça, é feitio.

Dois. Olham para quem está a dizer aquilo. Antes de repetirem o que tu dizes, estes sistemas avaliam se és fonte de confiança naquele assunto, e se o que dizes bate certo com o que outras fontes credíveis dizem. Boa notícia: isto premeia quem faz trabalho a sério e ao longo do tempo. Não há aqui truque para comprar.

Três. Podem citar-te ou não. Às vezes dizem o nome e põem o link. Às vezes usam o que escreveste e não dizem de onde veio. Os assistentes de voz então nem isso, dizem a resposta e pronto. É injusto? É. Mas quando te citam, ganhas duas coisas ao mesmo tempo: apareces, e apareces recomendado por um sistema em que a pessoa confia. Isso vale mais do que a quinta posição no Google.

Na próxima aula abrimos o capô: o que se passa dentro de um destes sistemas quando responde, porque é que uns citam fontes e outros não, e porque é que às vezes erram com um ar muito seguro.

Entretanto diz-me nos comentários qual destes já usas para pesquisar. O ChatGPT? O Perplexity? A Siri no carro? Quero perceber por onde é que isto entrou na tua vida.

Até à próxima aula.