AEO sem Bluff / Planeamento de conteúdo para visibilidade em pesquisa e IA / Aula 11
Ler a SERP para orientar o teu conteúdo
A página de resultados diz-te o formato, o tamanho e a estrutura que aquela pergunta pede. E as fontes que a resposta de IA cita mostram-te o que é conteúdo citável naquele assunto.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Já fizeste a lista de perguntas dos teus clientes. Já escolheste os três assuntos. Já etiquetaste cada pergunta pela fase em que a pessoa está.
Agora vais escrever, certo?
Ainda não. Falta um passo que leva dez minutos e que quase toda a gente salta, incluindo gente que faz isto para viver.
O passo é: antes de escreveres uma palavra, vai ver o que já está lá.
E não é para copiar. É porque a página de resultados do Google é a coisa mais próxima que existe de uma resposta oficial à pergunta "que tipo de conteúdo é que serve esta pergunta". Está ali, à borla, atualizada ao minuto, e é ignorada todos os dias.
Hoje ensino-te a lê-la.
Primeira regra, e parece parva até se perceber porquê.
Pega numa pergunta da tua lista e escreve-a no Google exatamente como o teu cliente a escreveria. Não a arranjes. Não lhe tires as palavras a mais. Não a transformes numa palavra-chave bonita.
Se a pessoa escreveria "vale a pena ir ao fisioterapeuta ou isto passa com repouso", escreves isso. Não escreves "fisioterapia tendinite eficácia".
Porquê? Porque o que o Google te devolve é a resposta dele àquela pergunta, tal como ela é feita. Se lhe fizeres uma pergunta diferente, ele responde a outra coisa, e tu ficas com um mapa do sítio errado.
E se estiveres com sessão iniciada, faz isto numa janela anónima. Senão estás a ver os resultados que o Google acha que tu queres, e tu não és o teu cliente.
Agora, antes de clicares em coisa nenhuma, olha para o que está no cimo da página. Cada coisa que aparece ali diz-te alguma coisa sobre o formato que aquela pergunta pede.
Um bloco de resposta destacado, daqueles com um parágrafo tirado de um site. Isto quer dizer que o Google decidiu que esta pergunta tem uma resposta única e direta. Se escreveres três páginas de contexto antes de responderes, estás fora.
A caixa "as pessoas também perguntam". Quer dizer que à volta desta pergunta há um conjunto de dúvidas relacionadas. Isso não é um obstáculo, é matéria-prima para a família de páginas de que falámos há duas aulas.
Vídeos no topo. O assunto vê-se melhor do que se lê. Talvez a tua resposta a esta pergunta não deva ser um texto.
Um monte de imagens. A mesma ideia.
E uma resposta de IA, aquele bloco gerado no cimo de tudo. Esta é a mais importante para nós, e quer dizer uma coisa concreta: as máquinas já andam a sintetizar respostas para esta pergunta. Ou seja, aqui não basta posicionares. Tens de estar escrito de maneira a poder ser extraído.
Repara no que acabaste de fazer em trinta segundos, sem clicar em nada: já sabes se aquilo pede resposta curta ou desenvolvimento, texto ou vídeo, e se as máquinas já estão a mexer no assunto.
Agora sim, entra nos três a cinco primeiros resultados. E não vás ler o conteúdo com olhos de leitor. Vais ver três coisas, sempre as mesmas.
Primeira: que formato é aquilo? É um passo a passo? É uma explicação de um conceito? É uma comparação entre opções? É uma resposta curta e direta?
E aqui está o sinal mais forte de todos: se os primeiros forem quase todos do mesmo formato, é porque aquele formato é o que serve a pergunta. Não é coincidência. É o Google a ter testado isso milhões de vezes por ti.
Segunda: como é que está estruturado? Olha para os subtítulos. São perguntas ou são etiquetas vagas? A resposta principal está lá em cima ou está enterrada a meio?
Terceira: que tamanho tem? Há assuntos que se resolvem em trezentas palavras e ficam melhor assim. Há outros que pedem profundidade. Não adivinhes: os resultados dizem-te qual é o caso.
Isto são cinco minutos de trabalho e poupam-te uma tarde a escrever a coisa errada.
Duas coisas naquela página valem mais do que todo o resto. Vou dizer-te o que fazer com elas.
A caixa "as pessoas também perguntam". Isto é uma janela direta para o que a pessoa vai querer saber a seguir. Diz-te os buracos que existem no que está publicado, os subtemas que ninguém cobriu, e a ordem natural por que alguém aprende aquele assunto.
E há aqui uma coisa que muda o teu trabalho: se a tua página responder à pergunta original e também a várias dessas, ficas muito mais forte para ser escolhido. Porque deixas de ser uma resposta a uma pergunta e passas a ser uma cobertura do assunto.
E se aparecer uma resposta de IA, vai ver que fontes é que ela cita.
Esta é a melhor de todas e quase ninguém a usa. Abre essas fontes e pergunta-te o que é que elas têm em comum. São longas ou curtas? Usam subtítulos e listas, ou é texto corrido? Começam pela resposta ou dão voltas antes de chegar lá?
Aquelas páginas são a resposta à pergunta "o que é conteúdo citável neste assunto". Não é teoria minha nem do curso. É a própria máquina a mostrar-te o que escolheu.
Um aviso antes da tarefa, porque sei o que vai pela cabeça de alguns.
Nada disto é ires buscar o que está lá e fazeres igual. Se fizeres igual, és mais um, e já sabes o que acontece a mais um.
O que estás a fazer é a perceber o formato e a estrutura que as pessoas esperam naquele assunto. Cumprir esse padrão é o preço de entrada. Depois de o cumprires, tens de dar uma coisa que os outros não dão: mais certa, mais atual, ou mais útil.
Ler a página de resultados antes de escrever não é trabalho a mais. É o que faz o resto do trabalho valer a pena.
Tarefa desta semana. Escolhe três perguntas da tua lista. Só três.
Para cada uma, em janela anónima, faz o percurso: o que está no topo, que formato têm os primeiros resultados, que tamanho, e como estão arrumados. Aponta numa folha.
E numa delas, se houver resposta de IA, abre as fontes que ela cita e escreve o que têm em comum.
Só depois disso é que escreves.
Na próxima aula entramos na parte que vai mudar a forma como escreves: como se cria conteúdo que serve a pesquisa e a IA ao mesmo tempo. Já sabes que perguntas responder e o que já lá está à tua frente; falta a parte de seres tu o escolhido para a resposta.
Nos comentários, diz-me o que apareceu no topo quando pesquisaste a pergunta mais importante do teu negócio. Bloco de resposta? Vídeos? Resposta de IA? Isso sozinho já te diz muito.
Até para a semana.
Material de apoio
Pesquisa como uma pessoa
Escreve a pergunta exatamente como o teu cliente a escreveria, sem a limpar nem a transformar em palavra-chave. E faz sempre em janela anónima — senão vês os resultados que o Google acha que TU queres, e tu não és o teu cliente.
O topo da página diz-te o formato
Bloco de resposta destacado = a pergunta tem uma resposta única e direta. Caixa "as pessoas também perguntam" = há um conjunto de dúvidas à volta. Vídeos ou imagens = o assunto vê-se melhor do que se lê. Resposta de IA = tens de estar escrito para ser extraído, não só para posicionar.
As três coisas a ver nos primeiros resultados
1) Que formato têm (passo a passo, explicação, comparação, resposta curta)? Se forem quase todos iguais, é esse o formato que serve. 2) Como estão estruturados — subtítulos-pergunta, resposta no topo ou enterrada? 3) Que tamanho têm?
A mina de ouro que ninguém usa
Se aparecer uma resposta de IA, abre as fontes que ela cita e vê o que têm em comum: longas ou curtas, listas ou texto corrido, começam pela resposta ou dão voltas. Essas páginas são a definição de conteúdo citável naquele assunto.