AEO sem Bluff / Otimizar para citações de IA / Aula 14
Os elementos da página que melhoram o posicionamento e geram citações
Seis elementos invisíveis da tua página que decidem se te encontram e se te citam. Trinta minutos por página, e o teu concorrente nunca os fez.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Vou-te dizer uma coisa à cabeça, para não perderes o teu tempo: esta é a aula mais aborrecida do curso inteiro.
Não tem uma grande ideia. Não tem uma história. É uma lista de seis coisas chatas que se mexem no teu site.
E é a aula que te dá resultado mais depressa.
Porquê? Porque isto é trabalho que ninguém faz. Toda a gente quer falar de estratégia e de inteligência artificial, e depois tem o site com páginas chamadas "Serviços" e endereços cheios de números. Estas seis coisas levam trinta minutos por página, e a maior parte dos teus concorrentes nunca as fez em dez anos de site.
Na aula anterior percebeste como estas máquinas leem: por bocados, com a pergunta partida. O que vamos ver hoje são as pegas por onde elas agarram esses bocados. É a continuação direta.
Aguenta os treze minutos. Depois abre o teu site e faz.
Começo por duas coisas que vivem fora da página e que quase toda a gente deixa como veio de fábrica.
A primeira é o título da página. Não é o título que se vê escrito no topo do texto. É o nome que a página tem lá por dentro, e é o que aparece na lista de resultados e no separador do teu navegador.
Regras, e são poucas. Diz o assunto da página. Mete lá a palavra que as pessoas usariam. E não passes muito dos sessenta caracteres, senão fica cortado a meio e ninguém percebe.
O erro clássico, e vais encontrá-lo no teu site hoje: "Início, barra, Empresa Lda, Bem-vindo". Isto não diz nada a ninguém. É o espaço mais valioso que tens e está a ser gasto a dar as boas-vindas.
Trocado por miúdos, numa clínica: em vez de "Serviços, Clínica X", fica "Fisioterapia para lesões de corrida no Porto, Clínica X".
A segunda é a descrição, aquele texto pequeno que aparece por baixo do título nos resultados.
E aqui há uma coisa que tens de saber, porque te poupa discussões: a descrição não faz a tua página subir. Não é fator de posição. Quem te disser o contrário está desatualizado.
O que ela faz é decidir se a pessoa clica. Portanto trata-a como o que é: uma frase de venda honesta. Cento e cinquenta caracteres, concretos. Diz o que a pessoa vai lá encontrar, não digas que és líder de mercado e apaixonado pelo que fazes.
Agora os títulos e subtítulos dentro do texto. Aquilo a que os sites chamam agá um, agá dois, agá três, e que não é mais do que a hierarquia: o título grande, os títulos das secções, e os das subsecções.
Um título grande por página. Só um. É o assunto daquela página.
Depois os subtítulos, e é aqui que se ganha ou perde. Cada subtítulo tem de dizer o que está por baixo dele. Se eu ler só a lista de subtítulos da tua página, tenho de perceber a página toda.
Compara. "Serviços". "Como trabalhamos". "Mais informação". Isto não diz nada.
Agora: "Quanto custa uma consulta de fisioterapia". "Quantas sessões são precisas para uma tendinite". "O que trazer à primeira consulta".
A diferença não é estética. Lembra-te do que aprendeste na aula anterior: a máquina arranca bocados. O subtítulo é a etiqueta do bocado. Se a etiqueta diz "Mais informação", ela não sabe o que está lá dentro e vai buscar a outro sítio.
É a mesma ideia dos títulos-pergunta da aula doze, aplicada agora a cada secção em vez de à página inteira.
Passemos ao endereço da página. Aquilo que aparece na barra do navegador.
Curto, com palavras a sério, separadas por hífens. Sem números, sem códigos, sem interrogações no meio.
Isto: barra, fisioterapia, barra, tendinite-do-corredor. Não isto: barra, página, interrogação, id igual a quatro mil quatrocentos e setenta.
Vale para as máquinas e vale para as pessoas. Um endereço legível dá a impressão de uma casa arrumada, e essa impressão conta quando alguém decide se confia em ti.
E agora as ligações entre as tuas próprias páginas. Esta é a que dá mais retorno e a que menos gente faz.
Quando ligas de uma página tua para outra página tua, estás a fazer duas coisas: ajudas os sistemas a encontrar tudo o que tens, e mostras-lhes como as tuas páginas se relacionam.
Isto é a família de páginas da aula nove, feita na prática. A página-mãe liga às filhas, as filhas ligam de volta. As ligações são o que transforma páginas soltas num corpo de trabalho.
E há uma regra sobre o texto da ligação: nunca escrevas "clica aqui". O texto onde se carrega tem de dizer para onde vai. "Clica aqui para saber mais" não diz nada. "Quantas sessões são precisas para uma tendinite" diz tudo, e é mais uma pista sobre o assunto da página de destino.
Falta o último, e é rápido, mas não saltes esta parte. As imagens.
Uma imagem, para estes sistemas, é um buraco. Eles precisam de uma descrição escrita para saberem o que ali está. Essa descrição chama-se texto alternativo, e no teu site é uma caixa que aparece quando carregas a imagem.
Escreve lá o que a imagem mostra mesmo. Não é para encher de palavras-chave. "Fisioterapeuta a avaliar o tendão de Aquiles de um corredor" é uma descrição. "fisioterapia porto fisioterapeuta clínica melhor" é lixo, e é percebido como lixo.
E o nome do ficheiro conta também. Se sobes uma fotografia chamada I-M-G, dois mil e vinte e quatro, zero seis, um dois, ponto jpg, estás a desperdiçar uma pista de graça. Chama-lhe tendao-aquiles-avaliacao, ponto jpg, antes de a subires.
E há aqui uma coisa que vai muito além das máquinas, e que faço questão de dizer: o texto alternativo é o que as pessoas cegas ouvem quando o leitor de ecrã passa pela tua imagem. Se não o escreves, elas ouvem "imagem" e mais nada. Portanto, mesmo que isto não te desse visita nenhuma, continuava a valer a pena.
Tarefa desta semana. Uma página. Uma só. A que já te traz mais visitas.
Faz-lhe as seis coisas, por esta ordem, e cronometra: o título da página, a descrição, os subtítulos, o endereço, duas ligações para outras páginas tuas, e o texto alternativo das imagens.
Se passar de trinta minutos, estás a complicar.
E fica com a regra que fecha a aula: cada um destes elementos tem de servir os três ao mesmo tempo. O Google, os motores de resposta, e a pessoa. Se escreveres uma coisa que só serve a máquina, e que a uma pessoa soa a lixo, está errada. Sempre foi essa a linha, e continua a ser.
Na próxima aula vamos àquela coisa que assusta toda a gente pelo nome: dados estruturados. Prometo-te que não vais precisar de saber programar, e que em quinze minutos percebes o que é e o mínimo que o teu site devia ter.
Nos comentários, diz-me o que estava escrito no título da tua página principal antes de a corrigires. Aposto que metade de vocês tem lá a palavra "Bem-vindo".
Até para a semana.
Material de apoio
Os seis elementos, por ordem
Título da página (menos de 60 caracteres, diz o assunto). Descrição (menos de 155, concreta). Subtítulos que dizem o que está por baixo. Endereço curto com hífens. Duas ligações internas com texto descritivo. Texto alternativo em todas as imagens.
Nunca escrevas "clica aqui"
O texto onde se carrega tem de dizer para onde vai. É mais uma pista sobre o assunto da página de destino, e é o que transforma páginas soltas numa família.
A regra que fecha a aula
Cada elemento tem de servir os três ao mesmo tempo: o Google, os motores de resposta e a pessoa. Se só serve a máquina e a uma pessoa soa a lixo, está errado.