AEO sem Bluff / Repensar a visibilidade na era dos motores de resposta / Aula 03
Como funcionam os motores de resposta
O que se passa lá dentro quando alguém faz uma pergunta: como escolhem as fontes e porque citam uns e ignoram outros.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Já sabes o que é um motor de resposta. O que ainda não sabes é o que acontece lá dentro, entre a pergunta que escreves e o parágrafo que aparece no ecrã. É isso que vamos ver hoje. E fica até ao aviso, porque há uma coisa que estes sistemas fazem mal e que te pode custar caro.
Vou dar-te o mínimo de tecnologia possível, mas precisas disto para as decisões que vêm a seguir fazerem sentido.
Por trás de quase todos estes sistemas está aquilo a que se chama um modelo de linguagem. Foi treinado a ler quantidades absurdas de texto e, à força de tentar adivinhar a palavra seguinte milhões de vezes, ficou com os padrões da linguagem na cabeça.
Imagina um consultor que leu tudo o que alguma vez se escreveu sobre o teu setor. Tudo. Não te sabe dizer em que livro estava nem em que página. Mas se lhe fizeres uma pergunta, responde, e responde bem, porque ficou com os temas, os argumentos e o vocabulário todo lá dentro.
Agora a parte que interessa mesmo, e que quase ninguém explica: nem todos vão à internet.
Uns vão buscar páginas em tempo real enquanto respondem, lêem-nas ali na hora e escrevem a resposta com aquilo. É o caso do Perplexity e das respostas de IA do Google. São estes que costumam citar fontes, porque acabaram mesmo de as ler.
Outros respondem só com o que aprenderam no treino. Não foram a lado nenhum. Estão a dizer-te aquilo que ficou dos padrões.
E daqui sai um aviso que eu faço questão de te dar, porque é o tipo de coisa que ninguém te diz nos vídeos entusiasmados sobre IA.
Estas respostas podem estar erradas. Um modelo que responde a partir do treino pode dizer-te com toda a confiança do mundo uma coisa que já não é verdade. E um modelo que vai à internet buscar não está mais seguro, porque a internet também está cheia de disparates. Sai a mesma frase segura, com o mesmo ar de quem sabe.
Portanto trata uma resposta de IA como tratas um cunhado a dar palpites: pode estar certíssimo, mas confirmas antes de agires.
Feito o aviso, volto ao teu negócio. A diferença prática entre os dois mundos é esta.
No motor de busca clássico, o sistema visita a tua página, guarda-a, compara-a com as outras e dá-te uma posição. Ficas em terceiro, em nono, em trigésimo. E a posição decide se alguém te vê.
No motor de resposta não há posição nenhuma. O sistema procura informação relevante para aquela pergunta e avalia se o que tens é útil, de confiança e suficientemente arrumado para se conseguir tirar de lá. Se for, entra na resposta e talvez leve o teu nome. Se não for, não entras. E podes muito bem estar em primeiro no Google e não entrar na resposta. As duas coisas deixaram de andar sempre juntas.
Uma frase para levares daqui: aparecer nos resultados é ganhar um lugar numa página. Ser citado é ganhar um lugar dentro de uma resposta.
Na próxima aula saímos da sala das máquinas e vamos ao teu trabalho: o que aproveitas do SEO que já fazes, e as três mudanças que decidem se uma máquina te cita ou te ignora. Chama-se a evolução do SEO para AEO.
Entretanto faz a experiência: mete a mesma pergunta no ChatGPT e no Perplexity e compara. Um mostra as fontes, o outro nem sempre. Agora já sabes porquê.
Até à próxima aula.