AEO sem Bluff / Medir o que importa na AEO / Aula 17
O que ainda não conseguimos medir em AEO
Que números deixaram de dizer o que diziam, e porque é que o teu tráfego pode cair com os clientes na mesma.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Há uma conversa que tenho tido muitas vezes este ano, e é sempre a mesma.
"Tiago, o meu tráfego caiu vinte por cento." Pergunto: e os pedidos de orçamento? Silêncio. Vão ver. "Esses estão na mesma."
Ora isso não é uma crise. É outra coisa a acontecer, e vale a pena perceber o que é antes de mudares seja o que for.
Nas aulas anteriores tratámos de construir. Hoje é a parte de que ninguém gosta: saber se aquilo está a resultar. E ao longo destas aulas de medição vou dar-te também a parte que a maior parte dos vídeos sobre este assunto não dá, porque não convém: o que é que hoje, com as ferramentas que existem, ainda não se consegue medir.
Se ficares só com uma ideia deste módulo, que seja esta: não deixes que uma ferramenta escolha a tua estratégia.
Começo pelos números que já não dizem o que diziam. E não vou dizer-te que morreram. Isso era exagero e havia de te sair caro. O que mudou é o que eles significam.
E mudou por uma razão só, que vale a pena perceberes antes de olhares para um gráfico outra vez. Estes números foram todos construídos em cima da mesma corrente: a pessoa pesquisa, lê, clica, entra no teu site, e compra. Quando a resposta lhe chega antes do clique, a corrente parte-se no terceiro elo. Os números continuam a ser medidos com o mesmo rigor de sempre. O que deixou de existir é aquilo que eles descrevem.
A posição média no Google. Continua a existir e continua a valer. Mas hoje podes subir de posição e receber menos visitas do que antes. Não é contraditório: se o Google põe uma resposta gerada por cima de tudo, o primeiro lugar da lista passou a estar mais abaixo no ecrã do que estava. Estás melhor colocado numa lista que menos gente chega a ler.
O tráfego orgânico total. É o número que mais assusta as pessoas, e é o mais fácil de ler mal. Uma queda de visitas pode ser gente que ia ao teu site tirar uma dúvida rápida e nunca ia comprar nada. Se essas deixaram de ir, o gráfico piora e o negócio não. E o contrário também acontece: tráfego a subir com zero pedidos é só barulho a custar dinheiro.
A taxa de cliques. Está a cair para toda a gente, por causa das pesquisas sem clique de que falámos na primeira aula. Se a tua caiu, a primeira pergunta não é "o que fiz eu de errado". É "caiu mais do que a dos outros?".
Aqui está a leitura que quase ninguém te dá e que te pode poupar uma decisão cara.
Vai ao Search Console e olha para duas linhas ao mesmo tempo, em vez de uma: as impressões e os cliques.
Se as impressões estão iguais ou a subir e os cliques estão a cair, isso não é o teu conteúdo a piorar. É o contrário. Continuas a aparecer tanto como antes, e o que mudou foi que as pessoas ficam servidas antes de chegarem a ti. Em muitos casos é sinal de que andas a ser usado nas respostas.
Se forem as impressões a cair, aí sim é outra conversa: deixaste de aparecer, e isso é um problema real.
São os mesmos dois números que já tinhas. A diferença está em lê-los juntos em vez de isolados. E é a diferença entre mandares refazer um site que está bom e não mexeres em nada.
O tempo na página. Este sempre foi meio enganador e agora ainda mais. Alguém entrar, encontrar a resposta em oito segundos e sair satisfeito aparece-te no relatório como se tivesse fugido.
O erro grave não é olhar para estes números. É reagir a eles sozinhos. Já vi empresas a mandar refazer sites que estavam bons por causa de um gráfico de visitas, sem nunca terem olhado para o número de clientes que entraram pela porta.
Fica a pergunta óbvia: se estes números já não dizem o que diziam, em quais é que se pode confiar? É essa a próxima aula. Dou-te cinco números, arrumados por nível de confiança, e os dois mais honestos não custam um cêntimo.
Até para a semana.