AEO sem Bluff / Planeamento de conteúdo para visibilidade em pesquisa e IA / Aula 10
Pesquisar palavras-chave para conteúdo AEO — parte 3: jornada e intenção
As três fases por que passa um cliente antes de te contratar, porque o volume de pesquisa deixou de mandar, e as ferramentas gratuitas que interessam.
Vídeo a caminho
A aula ainda não está filmada. O texto completo está aqui em baixo e serve na mesma — é exatamente o que vai ser dito no vídeo.
A aula, por escrito
Vou pôr-te três perguntas à frente e quero que adivinhes quantas pessoas diferentes as fizeram.
Porque é que me dói o joelho quando corro.
Fisioterapia ou osteopatia, qual é melhor para uma tendinite.
Fisioterapeuta em Matosinhos, preço da primeira consulta.
Parecem três pessoas. É uma só. Com três semanas de intervalo entre cada uma.
E aqui está o problema: a maior parte das empresas só responde a uma das três. Quem tem site de serviços responde à terceira e queixa-se que ninguém o encontra. Quem faz blogue responde à primeira e queixa-se que o blogue não traz clientes. Estão os dois certos na queixa e errados no diagnóstico.
Hoje: as três fases, como decidir se uma pergunta merece uma página, e as ferramentas que te ajudam nisto sem te cobrarem nada.
Isto não é teoria de manual. É a sequência que qualquer pessoa faz antes de gastar dinheiro, e tu fazes o mesmo quando escolhes um canalizador.
Fase um: a pessoa tem um problema e ainda não sabe o nome dele. Anda a tentar perceber o que se passa. As perguntas são sintomas. Porque é que me dói, é normal isto, isto passa sozinho.
Nesta fase ela não quer comprar nada e se lhe tentares vender, foge. O que ela quer é perceber. Se fores tu a explicar-lhe, e a explicar bem, ficas com uma coisa que vale mais do que um clique: ficas com a pessoa a associar o nome dela ao teu.
Fase dois: já sabe o nome do problema e anda a comparar caminhos. Fisioterapia ou osteopatia. Vale a pena fazer, ou passa com repouso. Quantas sessões são precisas. Preciso de exames antes.
Esta é a fase mais esquecida das três, e é a mais valiosa. É aqui que a pessoa decide o tipo de solução, e portanto é aqui que se decide se ela vai sequer procurar alguém como tu. Quem ganha esta fase, muitas vezes já não precisa de ganhar a terceira.
Fase três: já decidiu o que quer, agora escolhe a quem compra. Fisioterapeuta em Matosinhos. Preço. Avaliações. Tem acordo com o meu seguro.
Aqui a pessoa quer factos: preço ou intervalo de preço, morada, horário, quanto tempo demora, como se marca. Nada de histórias.
Olha para o que isto muda na tua escrita. É a mesma empresa, o mesmo assunto, mas o texto não pode ser igual. Na primeira fase explicas e não vendes. Na segunda comparas com honestidade, incluindo dizer quando a tua solução não é a indicada. Na terceira respondes com números e pões o contacto à vista.
E as três ligam-se. A página da fase um deve levar a pessoa à da fase dois, e essa à da fase três. É exatamente a família de páginas de que falámos na aula anterior. Aquilo não é só um monte de páginas do mesmo assunto, é um caminho.
Se tens dez páginas e são todas da fase três, não tens um caminho. Tens uma montra à espera de quem já ia entrar.
Agora a pergunta prática, a que te trava quando estás com a lista à frente. Vale a pena responder a isto?
Durante vinte anos a resposta foi uma só: vê quantas pessoas pesquisam isso por mês. Se o número era grande, escrevias. Se era pequeno, deixavas.
Esse número continua a existir e continua a servir para alguma coisa. Só que deixou de mandar. E vou explicar-te porquê, com uma conta simples.
Imagina duas perguntas. Uma genérica, com cinco mil pesquisas por mês. Outra específica, com vinte. A genérica é feita por estudantes, curiosos e gente do ramo. A específica é feita por alguém com o problema em cima, a semana antes de marcar.
Qual delas te dá clientes? E agora a pergunta que interessa mais: qual delas é que tu consegues responder melhor do que toda a gente?
Nas máquinas de resposta, a pergunta longa e específica é o teu terreno. Um portal generalista não desce a esse detalhe, porque não tem clientes nem casos. Tu tens. É a vantagem de que falámos na aula passada, aplicada à escolha de cada página.
A regra prática, e é esta que eu quero que uses: se a pergunta te foi feita por um cliente real, e tu tens uma resposta melhor do que a que está lá fora, responde. Mesmo que nenhuma ferramenta lhe dê volume nenhum.
Então quando é que o volume conta? Em dois momentos, e só nestes. Primeiro, para escolheres a ordem entre duas perguntas igualmente boas: começa pela mais procurada. Segundo, para não construíres uma família inteira de páginas à volta de um assunto que, olhando bem, ninguém pergunta. O volume serve para escolher o assunto. Não serve para vetar a pergunta.
Há um aviso que quase ninguém te dá e que, sozinho, justifica esta aula.
As ferramentas de volume de pesquisa medem o Google. Só o Google. Não veem nada do que é perguntado dentro do ChatGPT, do Perplexity ou de qualquer assistente. Zero. Não há ali janela nenhuma.
Ou seja: uma pergunta que te apareça como "sem procura" pode estar a ser feita mil vezes por dia, escrita por extenso, dentro de um assistente. E são precisamente as perguntas compridas e conversadas que migraram primeiro para lá.
Portanto, quando uma ferramenta te disser que uma pergunta não tem volume, lê isso como "não tem volume no Google". Não como "ninguém pergunta isto".
Passemos às ferramentas. Vou dar-te quatro, por ordem de utilidade, e o que cada uma serve mesmo. Nenhuma delas te vai custar dinheiro nesta fase.
A caixa "as pessoas também perguntam", no Google. Pesquisa uma pergunta do teu setor e abre aquela caixa. Cada vez que abres uma, aparecem mais. São perguntas reais e é a fonte mais rápida que existe. Dez minutos aqui dão-te material para semanas.
As sugestões do Google enquanto escreves. Começa a escrever a pergunta e não carregues em enter. O que aparece por baixo são coisas que outras pessoas escreveram mesmo. Experimenta escrever a tua profissão seguida de "vale a pena", "quanto custa", "quanto tempo".
O Google Trends. Este serve para outra coisa e é onde muita gente se engana. Não o uses para escolher perguntas, usa-o para olhar para assuntos: ver se um tema está a subir ou a cair ao longo dos anos, e ver a época do ano em que sobe. Se descobrires que o teu assunto dispara em setembro, já sabes quando é que aquela página tem de estar publicada. Em agosto.
E as ferramentas de árvore de perguntas, do género do Answer The Public ou do AlsoAsked. Dás-lhes um tema e devolvem-te um leque de perguntas associadas. Servem para desbloquear quando ficaste sem ideias e para encontrar formulações que não te ocorreram. A versão gratuita chega bem.
Fica ainda o aviso da aula oito, e vou repeti-lo porque é importante: nenhuma destas ferramentas substitui as tuas conversas. As perguntas que te fazem ao telefone e no WhatsApp são melhores do que tudo isto, porque vêm com contexto, com a palavra exata que a pessoa usa, e com a emoção por trás.
A ferramenta serve para confirmar e para alargar. Nunca para começar. Quem começa pela ferramenta acaba com uma lista igual à do concorrente, que usou a mesma ferramenta no mesmo dia.
Três coisas para esta semana, e a primeira leva dez minutos.
Primeira: pega na lista de perguntas que fizeste e escreve um, dois ou três à frente de cada uma, conforme a fase.
Segunda: conta quantas tens de cada. Vais encontrar um buraco, e aposto que é na fase dois. É quase sempre na fase dois.
Terceira: a próxima página que escreveres, que seja para a fase mais vazia, dentro do assunto que escolheste na aula passada. Não mudes de assunto. Muda de fase.
Na próxima aula fechamos esta parte do planeamento com um passo de dez minutos que quase toda a gente salta: ir ver o que já está publicado antes de escreveres uma palavra. A página de resultados do Google diz-te o formato, o tamanho e a estrutura que aquela pergunta pede. Está lá à borla e é ignorada todos os dias.
Nos comentários, diz-me qual das três fases é que estava mais vazia no teu caso. Se disseres a dois, junta-te ao clube.
Até para a semana.
Material de apoio
Etiquetar por fase
Põe 1, 2 ou 3 à frente de cada pergunta da tua lista, conforme a fase. Conta quantas tens de cada. O buraco costuma estar na fase 2.
Aviso sobre as ferramentas de volume
As ferramentas de volume medem o Google e mais nada. Não veem o que é perguntado dentro do ChatGPT ou do Perplexity. "Sem procura" quer dizer "sem procura no Google".